Liberdade

 

O pássaro é livre na prisão do ar. O espírito é livre na prisão do corpo. Mas livre, bem livre, é mesmo estar morto. (Carlos Drummond de Andrade)

 

Afinal, o que é liberdade?

De uma forma geral, a palavra “liberdade” significa a condição de um indivíduo não ser submetido ao domínio de outro e, por isso, ter pleno poder sobre si mesmo e sobre seus atos.

A liberdade de um acaba quando começa a do outro – acredito que você já deve ter ouvido essa frase.

Se somos livres para fazermos o que bem entendermos, por que pensamos tantas vezes no que vamos fazer? Mas aí está o X da questão. Será que realmente queremos essa liberade? Será que temos essa coragem toda para assumirmos qualquer consequência de nossos atos?

Ao meu ver, a liberdade está nos desafios que tomamos, está na nossa escolha mesmo que contrária a sociedade, escolhas essas que podem mudar o nosso futuro – para melhor, sempre.

A liberdade está nas escolhas bem pensadas, no voto, na luta, na oração, no pensamento. Sim, orar é ser livre, é sentir-se livre como um pássaro, como um anjo.

Viva a liberdade! Viva as boas escolhas, os pensamentos positivos!

Seja feliz…

Irmãos

O que seríamos de nós sem irmãos?
Não poderíamos ser os caçulas,
nem os mais velhos,
nem mesmo os “do meio”.
Não poderíamos confidenciar sobre aquela paixão.
Não poderíamos brigar pelo pedaço maior do bolo.
Não teríamos em quem pôr a culpa pelo vaso quebrado.
Não teríamos com quem jogar bola ou brincar de boneca.
Não teríamos com quem conversar durante a madrugada.

O que seríamos de nós sem irmãos?
Tanta coisa que não poderíamos fazer.
Tanto tempo que perderíamos tentando entender.
Tanto amor não poderíamos compartilhar.

É por isso que devemos agradecer pela dádiva que a vida nos dá,
quando um irmãozinho nos chega pedindo colo e carinho,
ou quando o mais velho nos chama para viajar.
Quando temos aquele ombro amigo, depois da briga com o namorado.
Ou simplesmente, quando eles estão lá, nos olhando admirados.

Dedicado ao meu irmão, na espera de dias de luz

Não adianta

Composição: Sérgio Sampaio

Não adianta,
Não adianta nada ver a banda,
Tocando “A Banda” em frente da varanda,
Não adianta o mar,
E nem a sua dor.

Não adianta,
Não adianta o bonde, a esperança,
E nem voltar um dia a ser criança,
O sonho acabou,
E o que adiantou?

Não tenho pressa,
Mas tenho um preço,
E todos tem um preço,
E tenho um canto,
Um velho endereço,
O resto é com vocês,
O resto não tem vez.

O que importa,
É que já não me importa, o que importa,
É que ninguém bateu em minha porta,
É que ninguém morreu,
ninguém morreu por mim.

Não quero nada,
Não deixo nada, que não tenho nada,
Só tenho o que me falta e o que me basta,
No mais é ficar só,
Eu quero ficar só.

Não adianta,
Não adianta, que não adianta,
Não é preciso, que não é preciso,
Então pra que chorar?
Então pra que chorar?
Quem está no fogo, está pra se queimar,
Então pra que chorar?

Meditar na noite

''O dia é muito mundano — a noite é muito espiritual.'' Osho

Esteja sozinho, sente-se silenciosamente, olhe para a escuridão. Torne-se um com o escuro, desapareça nele. Olhe para as estrelas — sinta a distância, o silêncio, o vazio e use a noite para sua meditação.

Sentado na cama nada fazendo… apenas sentindo. Muitas pessoas estão completamente inconscientes das belezas da noite… e a noite é tremendamente bela. É a hora certa para a meditação.

Na psicologia da yoga dividimos a consciência humana em quatro estágios. Primeiro chamamos o estado desperto de consciência, a consciência do dia. Você trabalha, e você parece um pouco alerta.

E o segundo estado chamamos de consciência sonhadora. Você está adormecido, mas os sonhos estão passando como uma procissão. Toda a mente está em um tráfego intenso.

Então o terceiro estado chamamos de sono, quando os sonhos cessaram.

E o quarto, chamamos simplesmente de o quarto, mas está mais próximo do sono. É exatamente como o sono com apenas uma diferença, e essa é que a pessoa está alerta nele. É tão silencioso, tão profundo quanto o sono, com somente algo mais — que a pessoa está alerta.

No sono você está completamente inconsciente. No samadhi, o quarto estado, você está absolutamente silencioso, ainda assim cônscio. Assim, a noite no passado tem sido usada para a meditação.

O dia é muito mundano — a noite é muito espiritual. Portanto comece a usar cada vez mais a noite. Pouco a pouco você irá se sentir tão tremendamente em sintonia com a noite.

Pouco a pouco o mundo inteiro vai dormir. Tudo para — o tráfego cessa, o barulho cessa… o mundo mundano acaba. As pessoas — sua inconsciência, suas atitudes criminosas — tudo desapareceu no sono. A atmosfera está absolutamente limpa… nenhuma nota dissonante.

Dessa forma, apenas comece a desfrutar da beleza da noite e sinta mais e mais pela noite.

Fonte: Palavras de Osho

Seja paciente

 

Aos poucos sua estrada é desenhada…

Não é fácil seguir adiante, a estrada é escura e sempre encontramos obstáculos.

Quando decidimos seguir um determinado caminho, temos que saber que teremos concorrentes, isto é, pessoas que tem objetivos parecidos com os nossos.

Assim sendo, temos que saber também que essas pessoas podem ser “vitoriosas” mais cedo do que nós, afinal, cada um tem oportunidades diferentes, estrutura de vidas diferentes.

Se você sabe que está no caminho certo, confie. O que é do homem, o lobo não come. O que tiver que ser, será.

Na minha vida (que espero ainda não estar nem na metade) nada foi fácil. Se muitas pessoas conquistam certas “glórias” sem muito esforço, tem alguma razão. Ou ela fez muito por merecer e muitas vezes não sabemos, ou essa vitória não terá o mesmo sabor.

I may not have gone where I intended to go, but I think I have ended up where I needed to be.
Douglas Adams

O que você precisa ter certeza é que está fazendo o seu melhor e que não está prejudicando ninguém. Seguindo esses passos, a vitória está chegando, mas calma, pois nem sempre vem na velocidade que queremos e esperamos.

Seja feliz. Sucesso.

A gente espera do mundo e o mundo espera de nós

Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda

Cecília Meireles – Romanceiro da Inconfidência

Afinal, o que o mundo quer de nós? Que sejamos livres ou que sejamos presos aos imperativos que são enviados através de propagandas, programas fúteis?

Quando falamos “o que o mundo espera de nós”, quem é o sujeito? Quem é esse mundo? Quem quer o quê?

Nossos pais esperam que sejamos melhores que eles, que estudamos, que sejamos felizes… Será? Por que generalizar?

Talvez precisamos olhar o detalhe, entender o singular, antes de subjulgar alguém.

O mundo espera que eu seja eu mesma, afinal. Eu espero ser eu mesma.

A Queda
Lobão
Quantos sonhos em sonhos acordo aterrado
A terrores noturnos minha alma se leva
É um insight soturno, é o futuro passando
Na velocidade terrível da queda
Na velocidade terrível da queda

Ante o colapso final a vertigem
Próximo ao chão a penúltima descoberta
Que a lógica violenta das cores tinge
A velocidade terrível da queda
A velocidade terrível da queda

Como cair do céu é tão simples
Queda que a tudo e a todos transtorna.
Ah! As bombas, a chuva, os anjos e os loucos
O mundo todo na velocidade terrível da queda
O mundo todo na velocidade terrível da queda

Resvalando em abismos um pôr-do-sol furioso
Que a sensação de perda ao ver exagera
É o desespero vermelho de um apocalipse luminoso
Ejaculado da velocidade terrível da queda
Ejaculado da velocidade terrível da queda

Diante do medo um sorriso aeróbico
Nas bochechas a caimbra de uma alegria incompleta
Nada como um sorriso burro e paranóico
Para não perceber a velocidade terrível da queda
Para não perceber a velocidade terrível da queda

Não estou muito inspirada hoje, espero ter “inspirado” vocês.

A alma dos diferentes

A alma dos diferentes

“Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentar, caso um dia venham, a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.
 

“O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas. Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

“Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porque de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.

“O diferente paga sempre o preço de estar – mesmo sem querer – alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual, a inveja do comum, o ódio do mediano.

O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo. 

“O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em :“Puxa, fulano, como você é complicado”.
O que é o embrião de um estilo próprio em: “Você não está vendo como todo mundo faz?”

“O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.

“Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham. É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.

“Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Ele aprendeu a superar riso, deboche, escárnio, e  tem a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, bons demais para aquela pessoa, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de mumunha, de malícia . Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.

Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

(Artur da Távola)