Essa noite

Estou caindo
Sobre uma nuvem ou o buraco mais profundo
Não sei onde é o limite
Da loucura ou da clareza.

Essa complexidade me deixa inquieta, envergonhada.
Como podemos ser tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo?
Como muitos de nós podem ser tão egoístas e indiferentes?
Como podemos gritar se ninguém irá ouvir?

Tudo é tão belo e tão feio,
Tão perfeito e imperfeito.
O paradoxo da vida…

Não me diga que você não quis dizer o que você disse
Não me diga que você não quis fazer o que você fez
Se você deixou acontecer
Pedir desculpas parece mais atrativo

Não, eu não vou me calar
Eu vou gritar
Eu vou orar por você e por mim
Eu vou voar muito alto

Nessa noite eu vou me transformar
Os anjos irão me acompanhar
Seremos um só.

#CCS

Ela acredita em anjos

É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, perder a fé em todas as orações porque em uma não foi atendido, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou. É loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles te foi infiel. É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. Espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras. Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim, um recomeço. ~ Antoine de Saint-Exupéry

Quando criança, ela queria ser professora. Queria ensinar as pessoas e ao mundo o que era amar de verdade. O que era respeitar, que todos nós somos diferentes e iguais ao mesmo tempo.

Colocava em frente a uma lousa vários bonecos que, estáticos, prestavam atenção a tudo. Tão disciplinados, a professora imaginou que então que o mundo ao redor também deveria ser dessa forma. Grande engano.

Ainda no ‘professorado’, passou por uma cirurgia no céu. As estrelas esvam muito distantes, era preciso então aproxima-las para que então ela pudesser ser ainda mais feliz, mais iluminada.

Muitas pessoas não entendiam o porque de sua voz soar diferente, mas havia uma explicação. Havia um leão dentro de si, Deus então fez com que ele ficasse mais manso, senão poderia machucar alguém. Mas nem por isso ela deixou de esbravejar quando necessário e as vezes desnecessariamente também.

Passado alguns anos, a professora deixou de lado um pouco a carreira e seguiu em busca de seus sonhos. Escrevia quase todos os dias. Há quem dissesse que seria escritora. Palavras doces ou melancólias traçavam seus dias com letras de sonhos distantes, de amores platônicos, de lágrimas infantis.

Num belo dia, conheceu seu príncipe encantado. Ele não veio montado em um alazão branco, mas em uma bicicleta. Dias de paixão viriam, e vieram. Passado algum tempo os apaixonados perderam-se na mistura colorida do dia a dia – apenas viam preto e branco.

Os laços se soltaram, mas apenas um pouco.

Enquanto isso, os dias chuvosos e ensolarados se entrelaçavam, como numa dança mística. Vestiam-se como adultos, com roupas de caça e de luta. Venciam e perdiam, muitas vezes sem entender o que acontecera.

De repente, os laços se apertaram novamente, como clichê de novela das 8h. Perceberam que não havia outra razão a não ser permanecer juntos. Enfrentar dragões e feiticeiras juntos.

A princesa virou mulher. Aceitou uma tarefa difícil de acompanhar outras pessoas nos difíceis momentos e temperamentos da vida. Mais pimenta e limão, menos açúcar e mel. Ela procura ser forte, mas muitas vezes a espada fica pesada e o escudo amolece.

O príncipe virou homem. Depois de cinco anos de muita luta conquistou um título de honra. Cercado de amigos verdadeiros, vem traçando vitórias e subindo degraus.

Ela acredita em anjos e demônios. Ele acredita na luta verdadeira e em pés no chão.

Como arroz e feijão, eles se completam. Uns dias com temperos mais fortes, outros dias com um sabor inabalável.

Ambos tem aprendido muito, cada dia que se passa uma nova lição. É assim que tem que ser.

Essa história não há de acabar. Que bom.