Na escuridão da noite, as estrelas brilham

Incrível como mudamos com o passar do tempo. Ontem eramos de um jeito, hoje somos completamente diferentes. A vida dá tantas voltas e tantos giros que chegam a nos atordoar. Bagunçam e ao mesmo tempo ordenam nossos pensamentos e ações.

Muitas vezes o destino nos leva a caminhos estranhos, até mesmo escuros. Ou melhor, ele não nos leva, nós é que nos levamos, guiados muitas vezes pelo medo, insegurança ou simplismente falta de informação. Somos alienados e presos na menor prisão que existe: nós mesmos.

Dizemos que somos donos de si, independentes. Grande engano… Precisamos de referências, de exemplos, de um norte para nos guiar, senão o caminho de volta fica escuro e distante.

Durante a escuridão é que a luz brilha mais. Na escuridão da noite, as estrelas brilham. Talvez seja por isso que precisamos passar por momentos difíceis em nossas vidas, para darmos mais valor à luz, à verdade e à vida.

Choramos, sofremos, mas muitos não entendem que é exatamente isso que nos torma mais fortes. A experiência vira uma espécie de armadura – não caimos mais nas mesmas “armadilhas” e “truques”.

Essas últimas semanas tenho refletido muito e aprendido muito também, a dar valor ao próximo e a mim mesma. Diversas vezes ficamos cegos com nossas meias verdades e não percebemos o quanto erramos.

Mas ainda é tempo de renovação, de correr atrás do tempo perdido.

Foco, força e fé. Três palavras que tem mudado a minha vida – para melhor. Acredite, mudará sua vida também.

Tempos modernos

Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia
Que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais clara e farta
Repleta de toda satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão
Eu quero crer no amor numa boa
Que isto valha pra qualquer pessoa
Que realizar
A força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim do que não, não não
Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Que não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo o que há pra viver
Vamos nos permitir

Lulu Santos

2012

E se o fim do mundo realmente acontecesse nesse ano de 2012, você estaria preparado? Teria feito tudo o que gostaria nessa vida? Poderia partir sem nenhum arrependimento, sem nenhum pedido de desculpas deixado de lado? Não teria deixado um “eu te amo” para trás? E as reservas financeiras, já pensou? Tudo ia para o nada.

Acostume-se com essa ideia: um dia, todos nós partiremos dessa para uma melhor. Precisamos ter feito essa vida ter valido a pena. Não irá adiantar nada se você deixar de viver com essa ideia, que hoje pode ser seu último dia. Mas pense no seguinte: “hoje é um dia super importante na minha vida, darei o melhor de mim, serei eu mesmo, irei até o fim.”

Nosso tempo é muito curto, uma vida passa muito rápido… Assim, não pense muito, apenas viva.

Mas é muito importante viver bem. Fazer o que bem entende e o que der na telha, não irá leva-lo a lugar algum, aliás, levará: à sua tristeza ou de outrem.

Veja que interessante a visão de Chaplin sobre a vida e sua ordem:

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

Charles Chaplin

Outra mensagem de Clarice Lispector:

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

Penso que não preciso dizer mais nada.

Viva la vida!

Difícil

Estou achando tão difícil me expressar. Fico olhando pra tela em branco com ar de boba. E NADA.  Nenhuma frase coerente. NADA. E no meio das inúmeras tentativas em que eu tento – em vão – escrever, me antecipa aquela saudade esquisita, que não vai embora nunca… E a saudade fica martelando na minha cabeça, me dá uma espécie de aperto no peito e eu fico rindo e imaginando que, com certeza, se você estivesse aqui, você diria que era melhor eu consultar um médico ou coisa parecida. Mas você não está aqui. E a tela vazia me desafia e eu digito três ou quatro letras aleatórias para passar o tempo e depois aperto o backspace rápido e sumo com tudo. Como se a sensação que eu sinto pudesse sumir feito mágica. Mas, não. Para a saudade não existe backspace. Não existe delete, não existe tecla para trazer a presença. Só existe você, do outro lado do oceano, fazendo cenas (mil cenas!)… E me deixando aqui: muda. Literalmente sem palavra.  Sem espaço.  Sem texto.

Fernanda Mello

Comos se fosse o último, por Ana Jácomo

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último para dizer “obrigada”. O último para dizer “me desculpa”. O último para dizer “eu te amo”. O último para abraçar cada pessoa amada com aquele abraço bom que faz um coração cantar para o outro. O último para apreciar a vida com o entusiasmo que não guarda nenhuma delícia nem ternura pra depois. O último para fazer as pazes. Para desfazer enganos. Para saborear com calma, como se me servissem um banquete, a preciosidade genuína que cada único respiro humano representa.
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último pra esquecer tolices. O último para ignorar o que, no fim das contas, não tem a menor importância. O último para rir até o coração dançar. O último para chorar toda dor que não transbordou e virou nódoa no tecido da vida. O último para deixar o coração aprontar todas as artes que quiser. O último para ser útil em toda circunstância que me for possível. O último para não deixar o tempo escoar inutilmente entre os dedos das horas.
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último para me maravilhar diante de cada expressão da natureza com o olhar demorado de quem olha pela primeira vez. O último para ouvir aquela música que acende sóis por toda a extensão da minha alma. O último para ler, de novo, o poema que diz tanto de mim que eu me sinto caber nos olhos do poeta que o escreveu. O último para desembaraçar os fios emaranhados dos medos que me acompanham.
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. Eu não perderia uma chance para me presentear com os agrados que me nutrem. Eu criaria mais oportunidades para dizer o meu amor. Para expressar a minha admiração. Para destacar para cada pessoa a beleza singular que ela tem. Para compartilhar. Eu não adiaria delicadezas. Não pouparia compreensão. Não desperdiçaria energia com perigos imaginários e com uma série de bobagens que só me afastam da vida.
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último, porque pode ser.
Ana Jácomo