Equilíbrio

eqO que o ser humano constrói, ele mesmo destrói. Ele cria rótulos, apelidos, ofende, magoa, exclui, rejeita, abandona, fere, mata. Lança palavras ao vento ou até mesmo cria infinitos silêncios.
Como pode caber tantos sentimentos ruins em uma só pessoa? Como alguém pode não notar o quanto fere ou feriu alguém?
O ser humano “bom” está em extinção. O que é moda agora é falar palavrão, é ser individualista, materialista e narcisista. É vencer a qualquer custo. É fechar os olhos e fingir que aquela pessoa “indesejável” não está ali. É sentir dó e conformar-se – “não posso fazer nada”.
Eu sei que eu também tenho parte desse monstro dentro de mim. Monstro esse que cria raízes, cria péssimos hábitos no ser humano. Desprezamos porque somos desprezados. “Olho por olho, dente por dente”… Mas nos esquecemos que um erro não justifica o outro. “Mas por que fazer o certo se todo mundo faz o errado e não há penalização?” As pessoas usam as outras como muletas, como apoio nas suas escolhas ruins, para justificar, para confirmar muitas vezes algo que envergonha-se de admitir que foi feito por escolha própria.

Agora, como virar esse jogo? Tendo atitudes positivas, verdadeiras. Você não é “todo mundo”, faça o que tiver que ser feito, sempre pensando no coletivo, mas nunca se esquecendo de você. É criar um equilíbrio sem tendenciar nem ao “puritano” nem ao “lado escuro da força”.
É viver em paz consigo e com os outros. É sonhar e viver esse sonho, sem esbarrar no crescimento do próximo.

Abençoadas sejam as surpresas risonhas do caminho…

Abençoadas sejam as surpresas risonhas do caminho. As beleza que se mostram sem fazer suspense. As afeições compartilhadas sem esforço. As vezes em que a vida nos tira pra dançar sem nos dar tempo de recusar o convite. As maravilhas todas da natureza, sempre surpreendentes, à espera da nossa entrega apreciativa. A compreensão que floresce, clara e mansa, quando os olhos que veem são da bondade. Abençoados sejam os presentes fáceis de serem abertos. Os encantos que desnudam o erotismo da alma. Os momentos felizes que passam longe das catracas da expectativa. Os improvisos bons que desmancham o penteado arrumadinho dos roteiros da gente. Os diálogos que acontecem no idioma pátrio do coração. Abençoada seja a leveza, meu Deus. Abençoadas sejam as dádivas generosas que vêm nos lembrar que viver pode ser mais fácil. Que amar e ser amado pode ser fuido. Que dá pra girar o dial. Que dá pra sair da frequência da escassez e sintonizar a estação da disponibilidade, onde alegrias já cantam, mas a gente não ouve. Abençoadas sejam as dádivas que vêm nos lembrar, com alívio, que há lugares de descanso para os nossos cansaços. Que há lugares de afrouxamento para os nossos apertos. Que dá pra mudar o foco. Que não é tão complicado assim saborear a graça possível que mora em cada instante. Abençoados sejam as dádivas generosas que nos surpreendem. Elas não sabem o quanto às vezes, tantas vezes, nos salvam de nós mesmos.
Ana Jácomo

Administrar-se, por John C Maxwell‏

bolinha de gudeDois conceitos marcantes. O primeiro: o tempo é um patrão que oferece oportunidades iguais para todos; todo mundo tem direito a 24 horas por dia  nem mais, nem menos , mas nem todos conseguem tirar o mesmo proveito delas. O segundo conceito: de fato, não existe esse negócio de “administração do tempo”. Trata-se de uma contradição. O tempo não pode ser administrado. Não há como controlá-lo de forma alguma. Ele continua seguindo sua marcha, não importa o que façamos, não interessa se o taxímetro está correndo nem se você está caminhando ou resolveu parar.

A seguir uma história que impressiona bastante, e que está relacionada à administração da vida. É uma parábola escrita por Jeffrey Davis. Eis aqui o que ele diz:

Quanto mais velho fico, mais gosto das manhãs de domingo. Talvez seja por causa da quietude e da sensação de solitude por ser o primeiro a levantar, ou quem sabe?  A alegria desmedida de não ter de ir trabalhar. De um jeito ou de outro, as primeiras horas de uma manhã de domingo são mais alegres.

Há algumas semanas, eu estava me arrastando na direção do porão […] com uma xícara de café bem quentinho em uma das mãos e o jornal na outra. O que começou como uma típica manhã de domingo se transformou numa daquelas lições que a vida parece ensinar de tempos em tempos. Permita-me contar como aconteceu.

Sou radioamador, e sintonizei na faixa de comunicação por telefone para ouvir uma comunicação em rede que costumava ocorrer nas manhãs de domingo. No caminho, passei por um velho companheiro radioamador, que transmitia num sinal bem forte e com uma voz perfeita. Você sabe como é, aqueles sujeitos que poderiam ser locutores de televisão. Ele estava conversando com alguém e comentando algo sobre “mil bolinhas de gude”. Fiquei curioso e parei para ouvir o que ele dizia.  Bem, Tom, parece mesmo que você está muito ocupado com seu trabalho. Tenho certeza de que eles pagam muito bem, mas é um absurdo você precisar se afastar tanto de sua casa e de sua família. É difícil acreditar que uma pessoa tão jovem tenha de trabalhar sessenta ou setenta horas por semana para poder se sustentar. Foi muito ruim você ter perdido a apresentação de dança de sua filha.

Vou contar uma coisa a você, Tom, algo que tem me ajudado a manter uma boa perspectiva em relação a minhas prioridades.

Foi quando ele começou a explicar a teoria das “mil bolinhas de gude”.  Veja bem, um dia me sentei e fiz um breve cálculo. Uma pessoa vive, em média, cerca de 75 anos. Sei que alguns vivem mais e outros vivem menos, mas, em média, a vida de uma pessoa dura cerca de 75 anos. Aí multipliquei 75 por 52 e cheguei a 3.900, que é o número de domingos que a pessoa vive, em média, durante toda a vida. Agora, continue acompanhando meu raciocínio, Tom; estou chegando na parte mais importante. Levei 55 anos de minha vida para começar a pensar sobre tudo isso em detalhes, e naquela época eu já havia vivido 2.800 domingos.

Calculei que, se eu vivesse até os 75 anos, só teria pouco mais de mil domingos restantes para aproveitar. Então fui a uma loja de brinquedos e comprei mil bolinhas de gude. Levei-as para casa e coloquei dentro de uma caixa grande de plástico que fica aqui […] perto de meu equipamento. Desde então, todo domingo eu tiro uma bolinha de gude e jogo longe. Descobri que, conforme via o número de bolinhas de gude diminuir, eu me concentrava mais nas coisas realmente importantes da vida. Não há nada como perceber o tempo de vida nesta terra indo embora para ajudar a pessoa a focar nas prioridades. Mas permita-me dizer mais uma coisa antes de finalizarmos nossa conversa e desligarmos o rádio para eu poder levar minha adorável esposa para tomar café: esta manhã tirei a última bolinha de gude da caixa. Fiquei pensando que, se eu continuar vivo até o próximo domingo, significa que ganhei um tempo extra na vida. E a única coisa que todos podemos desfrutar é um pouquinho mais de tempo. Foi um prazer falar com você, Tom, e espero que passe mais tempo com sua família. Tomara que voltemos a nos falar pelo rádio um dia desses.

O silêncio era total no rádio quando aquele homem desligou. Acho que ele tinha nos fornecido material para um bocado de reflexão. Eu havia planejado trabalhar na antena do rádio naquela manhã e depois me encontraria com alguns amigos radioamadores para elaborar o próximo boletim do clube. Em vez disso, subi as escadas e acordei minha esposa com um beijo.  Vamos lá, meu bem, vou levar você e as crianças para tomar café.  Por que essa novidade?  Ela perguntou, sorrindo.  Ah, nada de especial. É que já faz muito tempo desde a última vez que passei um domingo inteiro com você e as crianças. Ei, daria para parar numa loja de brinquedos quando sairmos? Preciso comprar umas bolas de gude.

E você? Quantas bolinhas você ainda possui? Ter essa noção lhe dá ainda mais motivação para administrar sua vida de maneira adequada e tirar o melhor proveito do tempo que ainda lhe resta.

Quando você tem uma forte noção de propósito, aproveita a vida e tem ciência de quão breve é seu tempo na terra; os dias sempre parecem muito curtos. É por isso que se torna tão necessário administrar-se bem. Tudo quanto você faz em sua carreira e na vida pessoal depende disso. Desejo que você possa aprender essa lição o mais cedo possível.